Coisinha esquisita é este “Robin Hood” do Ridley Scott. Quem espera uma aventura de “capa e espada” acaba assistindo a um filme de “flecha e fogo”.
E nosso herói troca o collant verde e o chapéu de feltro por trajes nobres e armaduras pesadas.
Também pode esquecer aquele espírito fora da lei e comunista. Robin Hood aqui praticamente dá um golpe de Estado e se torna mais poderoso que o rei da Inglaterra.
Ok, cada um que atualize a história como quiser. O problema é saber se a coisa toda funciona.
Tô nem aí em ficar duas horas e meia com a bunda na cadeira e no final descobrir que tudo não passou de uma explicação básica para a verdadeira ação que começará… no próximo filme.
Se o enredo tiver me fisgado, belezinha.
O problema é que este “Robin Hood” é daqueles longas dos quais você sai com a pergunta de um milhão de reais: “Por que eu queria ver isso mesmo?”.
Falemos de roteiro então. Há uma nítida vala, uma verdadeira falha de San Andreas, nas viradas dos personagens principais.
As coisas não se encaixam, são capengas, desequilibradas.
Nunca entendemos se Ridley Scott quis um Robin Hood grandiloqüente, pesadão, historicamente correto… Ou se prefere fazer piada e mostrar que os Monty Python foram os que melhores descortinaram a Idade Média.
Num minuto o rei é um imbecil cagão. No outro, esbraveja e tem acessos de fúria que você não encontra nem em Shakespeare.
De repente, no meio de uma batalha sangrenta e decisiva, cheia de terror e aflição, a mocinha aparece liderando garotos maltrapilhos que cavalgam pequenos pôneis…
Robin Hood escuta umas palavras bondosas de um nobre cego e subitamente se lembra de todos os detalhes de sua terrível infância…
Tudo muito esquisito.
Ridley Scott é um sujeito profícuo (dos últimos, gosto bastante de “O Gângster”), chegado numa cena de ação caprichada, em câmera lenta, com recursos dramáticos bem marcados e marcantes.
A impressão é que ele gostaria de ficar horas preparando uma bonita sequência de ação. Mas tem que interromper cada luta para encaixar um diálogo, uma explicação, um discurso, uma piadoca (o “eu te amo” de Robin para Lady Marian é uma das coisinhas mais canhestras da história do cinema recente).
O sentimento de decepção atinge o auge quando o herói mata o vilão (e isso não é spoiler porque tá tudo claro desde o início). Num daqueles bons filmes de aventura, a platéia gritaria “urra!”. Neste, a turma diz: “dã!”.
E você achando que o Robin Hood do Kevin Costner é que era estranho… Sei, sei.

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