O melhor curta da era “Lost”

Acho que era o Kubrick que entrava em depressão ao ver comerciais de TV que contavam histórias completas em trinta segundos. E davam conta do recado, oferecendo boa dramaturgia e cenas bem resolvidas.

Enquanto isso, ele demorava sete anos para fazer um filme e, invariavelmente, estourava os 120 minutos regulamentares (mesmo que resultasse em obras-primas como “Laranja Mecânica”).

Claro que é uma anedota. Mas a provocação é o que vale.

Kubrick (se é que era o Kubrick mesmo) sabia que, apesar de nada mudar na física, parecia que o planeta ficava cada vez mais rápido.

O mundo das imagens também.

O ritmo da edição, a duração dos filmes, o tipo de encenação, tudo.

O cineasta americano também gostava de dizer que ainda não tínhamos usado 10% da arte que o cinema (ou a manipulação de imagens em movimento) poderia proporcionar.

A publicidade contribui (mesmo que por imagens tortas) para essa discussão, servindo muitas vezes de laboratório para diretores, montadores etc.

E aí está. O mexicano Alejandro González Iñárritu (“21 Gramas”, “Babel” e o recente “Biutiful”) acaba de fazer seu melhor curta (melhor filme, talvez).

“Write the Future” é a versão da Nike para os dramas, paixões, alegria e medos de uma partida da Copa do Mundo de Futebol.

Dirigido por Iñárritu, a propaganda curiosamente tem uma multitrama, narrativa que o consagrou (e também ao roteirista Guillerme Arriaga), se inserindo com perfeição na sua filmografia.

Cheia de astros, com uma fantástica ação em campo, o comercial não só consegue construir uma sólida história de diversos personagens, como também espalha sacadas pelos seus 3 minutos de duração.

Alguns dos meus pontos favoritos do roteiro:

– A aparição de Homer;

– A fantasia brega e surrealista de Cannavaro;

– O uso da internet no drible de Ronaldinho;

– A tragédia totalmente cruel imaginada por Rooney;

– Claro, a disputa do tênis-de-mesa;

– E o gancho final, após aquele delírio acachapante de Cristiano Ronaldo.

Com o brilhante uso de flashforward e realidades paralelas, Iñárritu fez o melhor curta da era “Lost”.

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