Não basta ser mineiro, tem que ter roteiro

Enquanto os filmes sobre os mineiros chilenos não vêm, ainda este ano teremos dois longas com personagens confinados em buracos.

Um aparentemente mais radical, pobre (custou US$ 3 milhões) e dirigido pelo espanhol Rodrigo Cortés. “Buried” mostra como Ryan Reynolds sobrevive por 90 minutos dentro de um caixão enterrado no meio do Iraque.

Quem sentiu claustrofobia com os poucos minutos de agonia de Uma Thurman quando ela foi soterrada em “Kill Bill 2” deve passar mal só de conferir o trailer dessa obra que foi elogiadíssima.

Já “127 Hours” traz alguns selos de qualidade que seguram o interesse no projeto. A direção é do inglês Danny Boyle, que papou tudo quanto é prêmio com “Quem Quer Ser um Milionário?”.

A história é real e conta como o montanhista Aron Ralston sobreviveu durante cinco dias preso num cânion em Utah.

James Franco interpreta o condenado e carimbou seu passaporte de favorito ao próximo Oscar.

Acima de tudo são roteiros sólidos, histórias fortes que conseguem prender a atenção.

Às vezes é mais difícil desenvolver um tema sensacional do que burilar coisinhas prosaicas.

Você tem duas linhas fantásticas, que prometem muito. Mas e daí? Como preencher duas horas capazes de sustentar com fôlego uma premissa tão espetacular?

Logo mais veremos como filmes e livros pretendem abordar as histórias dos mineiros chilenos.

Não basta ser mineiro, tem que ter um bom roteiro por trás.

Se a turma seguir a enfadonha e burocrática cobertura de certa parte da imprensa, as obras não devem apresentar grandes surpresas.

Porém, sempre podemos contar com roteiristas e jornalistas espertos, capazes de olhar de forma diferente para aquele drama.

Logo deve aparecer alguém feito Jimmy Breslin, lendário herói das redações norte-americanas nos anos 60/70.

O sujeito publicava contos disfarçados de reportagem, deixando páginas cheias de bons personagens e histórias complexas.

Ele largava o banal e buscava sempre a surpresa.

Por isso mesmo, quando Kennedy foi assassinado em 1963, enquanto todos corriam para coletar as declarações oficiais, ele fez uma grande reportagem com o cirurgião que tentou em vão ressuscitar o presidente.

E dias depois publicava “It’s a Honor”, reportagem sobre Clifton Pollard, o homem que cavou a sepultura de Kennedy no cemitério nacional de Arlington.

Agora, vamos esperar e ver o que mais sai daquela mina.

 

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