“Cilada.com” e o fracasso da crítica

Cilada.com, de José Alvarenga Jr., não poderia ter se saído pior… entre a crítica. Foi paulada de todos os lados e algum fogo amigo também. Nas bilheterias, levou 435 mil pessoas aos cinemas no primeiro final de semana – a melhor abertura do ano e a sexta desde a retomada.

Mais uma vez a frieza dos números mostra o divórcio – litigioso – entre os críticos e o público. A pauta é velha, mas parece que a turma que publica em jornais e revistas não quer enxergar o óbvio ululante: ou continuam escrevendo para ninguém; ou discutem a sério o papel que a crítica cinematográfica ainda ocupa na sociedade.

A questão não é exclusividade do território nacional. Peter Travers, da Rolling Stone, colocou dia desses um vídeo em seu blog dizendo umas boas para quem quisesse ouvir. Ele não se conformou com o sucesso de Transformers 3, apesar de todos terem alertado que o longa de Michael Bay era um tremendo abacaxi.

Onde estão nossos Peter Travers? Aqueles que chamam a moçada para o pau? Precisamos mais de réplicas, tréplicas e pensamentos sobre a arte.

Problema: para tanto, há necessidade de espaço, papel e tutano. E, cá entre nós, as três coisas estão em falta.

Eis uma encruzilhada do jornalismo cultural.

Abaixo, resenha de Cilada.com publicada na revista Rolling Stone.

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“Dick Flick” é um termo que identifica “filmes de menino”, em que os protagonistas são marmanjos que fogem das responsabilidades da vida adulta e se portam como eternos adolescentes, loucos para curtir a vida adoidado (Se Beber, Não Case é o melhor exemplo recente).

Após o sucesso de seis temporadas da série Cilada no canal Multishow, o autor e ator Bruno Mazzeo enxergou nas tramas que ele criou para a TV um potencial plot para um “dick flick brasileiro”.

Bruno (Mazzeo) é um desajeitado publicitário que desperta a raiva da namorada (Fernanda Paes Leme) ao traí-la durante uma festa de casamento. Como vingança, a ex coloca na internet um vídeo em que Bruno tem ejaculação precoce. Ao se espalhar na rede, a cena faz com que o sujeito tenha que erguer sua reputação e também reconquistar a mulher de sua vida.

Mesmo com o esforço de costurar a trama com momentos piegas, faltam elementos narrativos que nos levem a acreditar na história do casal. Apesar de piadas repetitivas e trocadilhos infinitos com o “sexo rapidinho”, o filme tem bom elenco (Augusto Madeira e Serjão Loroza seguram bem como amigos do protagonista), uma excelente participação de Luís Miranda como um vidente picareta e algum esboço – a sequência dos “ejaculadores anônimos” – do que Cilada.com poderia ser se esquecesse um pouco seu lado forçosamente romântico.

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