Jornalista fica 40 dias sem mentir

 

Abaixo, resenha publicada na revista Rolling Stone 58.

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Se os cálculos estiverem certos, em média você mente 200 vezes por dia. Entram na conta desde as mentirinhas brancas (que não causam transtornos) até aquelas mais cabeludas, capazes de colocar ministros em maus lençóis.

Socialmente aceita em seu nível menos prejudicial, a mentira é o tema que ocupa Sincero (Verus Editora, tradução de Petê Rissatti), livro do jornalista alemão Jürgen Schmieder. Repórter e colunista de esportes de um jornal de Munique, ele atravessava uma fase entediada quando resolveu tocar um experimento: ser sincero durante 40 dias, falando umas verdades para os colegas de trabalho, mulher, pais, irmãos, amigos, ex-namoradas, funcionários de estações de trem e até para aquele desconhecido que dá “bom-dia” no elevador.

Logo nas primeiras páginas o autor ganha uma costela trincada e um prejuízo danado na hora de declarar o imposto de renda. Ser sincero (principalmente consigo mesmo) se revela uma missão complicada e, infelizmente, um tanto aborrecida. A pauta de Schmieder perde a graça depois de uma boa arrancada; as histórias se repetem e o autor tenta turbinar o livro com rasos trechos filosóficos e cansativas citações de ícones da cultura pop e times de futebol.

Sem surpreender ou instigar, Sincero pelo menos sugere uma provocação interessante: só falar a verdade pode ser bem chato.

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