MELHORES RÉPTEIS
Vale dizer que Isto Não É um Filme, de Jafar Panahi, é o melhor filme do ano justamente por ele não se achar um (nem filme, nem bom). Uma bela articulação de idéias num cenário inóspito. Político, aflitivo, divertido (que genial sequência aquela no elevador) e dramático – e com um iguana simpaticíssimo. Outro réptil devastador e irônico apareceu em Rango, de Gore Verbinski. Também tão surreal e interessante quanto o de Panahi. Bichos lutando por água no deserto e sendo liderados por um camaleão numa espécie de Chinatown animado. E outro troféu para as cobras de Bravura Indômita, trabalho redondíssimo dos irmãos Coen, que colocaram mais molho num livro (de Charles Portis) já bem empolgante.
MELHOR VAMPIRA
Deixe-me Entrar, de Matt Reeves, refilmagem de um filme sueco, mostra que os Estados Unidos são tão soturnos e tristes quanto os personagens de Bergman. A garotinha vampira de Chloe Moretz arrebenta corações com sua condição de “morta-viva”. Tenso e irresistivelmente romântico.
MELHOR LUTA
Resquício ainda da temporada passada, mas que só estreou no Brasil este ano, O Vencedor traz Christian Bale franzino e chapado. Um Batman viciado em crack. Devastador na sua sinceridade. Ter Mickey Rourke (com O Lutador, em 2010) e Bale, na sequência, entrando no ringue, é uma dádiva.
MELHOR DOCUMENTÁRIO
Agora que os norte-americanos abandonaram o Iraque e Tim Hetherington, co-diretor de Restrepo, morreu depois de ser baleado na Líbia, este filme merece uma revisão. Um corajoso e contundente trabalho jornalístico, que também traz a assinatura de Sebastian Junger – seu livro Guerra é excepcional.
MELHOR CRISE
O documentário Inside Job, de Charles Ferguson, é tão confuso quanto a crise que destruiu o mundo em 2008. Mas quem entende essa loucura? De qualquer maneira, o clima de vingança é bem agradável e vale como documento histórico. Margin Call – O Dia Antes do Fim, de J.C. Chandor, trata do mesmo tema, ou melhor, mostra os mesmos canalhas. Mas neste, temos Kevin Spacey, Jeremy Irons e Stanley Tucci fazendo com que as calhordices sejam irresistíveis.
MELHOR FÉ
Homens e Deuses, de Xavier Beauvois, joga com a emoção para provar que a melhor religião é a tolerância. Grandes atuações num filme vagaroso e contemplativo.
MELHOR WOODY ALLEN
Este ano está fácil. Meia-Noite em Paris conquistou todo mundo com sua nostalgia e suas citações espertas. Quem não gostaria de pegar somente o melhor do passado? E ainda descobrir que no presente é possível viver em Paris com Léa Seydoux?
MELHOR FIM DO MUNDO
Melancolia, de Lars Von Trier, acaba com o mundo abusando de classe e estilo. Um anti-Roland Emmerich. O cinema precisava de uma alternativa mais fina para as catástrofes que prometem arrebentar o planeta. Angustiante e polêmico.
MELHOR “NASCE UMA ESTRELA”
Dois bons filmes com Jennifer Lawrence, uma daquelas apostas que, por enquanto, parece barbada. Saiu da densidade de Inverno da Alma para a boa diversão de X-Men: Primeira Classe e manteve a pose. Além disso, foi uma colegial rebeldizinha em Um Novo Despertar, de Jodie Foster – talvez o longa mais inclassificável e deprimido do ano. Uma loirinha de respeito.
MELHOR FILME DOS ANOS 80
Super 8, de J.J. Abrams, é uma tentativa de resgate de uma certa inocência em relação às imagens. De certa maneira, é o Meia-Noite em Paris da geração E.T. O alien não é tão bacana nem inventivo assim, mas as aventuras desse bando de órfãos (de pais vivos mesmo) são ternas e inesquecíveis.

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