As boas coisas de 2011 – Parte 2

 

Melhor Hitchcock
Quem precisa de loira quando temos Elena Anaya? A espanhola faz a Kim Novak de Um Corpo que Cai neste intrigante, divertido e agradável A Pele que Habito. Um filme que merece ser revisto algumas vezes. Almodóvar consegue a proeza de traficar uma infinidade de sofisticação para uma estrutura novelesca e melodramática. Tudo flui com imensa clareza. E Elena… Lembrando sobre o que disseram de Ava Gardner um dia, Elena é hoje um dos animais mais belos sobre a Terra.

Melhor vilão
Brad Bird, diretor de animações como Os Incríveis e Ratatouille, confirmou em Missão: Impossível – Protocolo Fantasma que manja da engrenagem de cenas de ação. Ele consegue colocar o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) em diversas situações memoráveis (destaque para a tempestade de areia, os vôos em Dubai e o quebra-cabeça no estacionamento de Bombaim). Além disso, um russo é o vilão. Convenhamos, vilão de filme de espionagem, para ser bom, ou é russo ou é nazista. Ponto.

Melhor “filme de arte”
Dizem por aí que um cineasta – desses de verdade – passa a vida fazendo sempre o mesmo filme. Terrence Malick nem faz tantos assim, mas dá para confirmar o ditado: as idéias seguem as mesmas desde as suas primeiras imagens na década de 70. Em resumo, em sua obra temos o homem tentando entender a natureza do divino – ou o divino na natureza. Pai, filho e espírito santo entram em choque na Terra. Certo, não é tão simples assim, mas carrega essa pretensão e ousadia. Com sua montagem sempre andando a 200 por hora, dando tudo de cada fotograma, uma história familiar envolvente, mítica e dramática, A Árvore da Vida é um filme imenso. Nem precisamos colocar na conta aquela belíssima digressão sobre o começo de tudo. Algo que tenta aproximar o cinema de artes mais nobres e velhuscas, como a literatura e a pintura.

Melhor roteiro
Um Conto Chinês, de Sebastián Borensztein, é O Segredos dos Seus Olhos deste ano. Um bom filme argentino com Ricardo Darín (pleonasmo) capaz de falar de nossos dias com bastante coloquialismo e propriedade, além de ser político, engraçado e com grandes atuações. Como eles conseguem? Bem, eles estudam.

Melhor “Se Beber Não Case”
Kristen Wiig escreveu – junto com Annie Mumolo – a melhor comédia do ano. E talvez tenha sido a melhor atriz também. Missão Madrinha de Casamento iguala homens e mulheres na atual onda da comédia norte-americana. Todos são bobos, carentes e ingênuos. Mas engraçadíssimos. No final, não se trata de encontrar o príncipe encantado, mas de conservar a amizade de infância – pois só esta nos lembrará que nunca deixaremos de ser crianças pentelhas.

Melhor poema
Como escrever poesia? Como filmar poesia? Lee Chang-dong mostra em Poesia que nem sempre a arte resolve tudo no universo mundano. Extremamente dolorido e delicado, Yun Jeong-hie atua de forma tão sincera que chega a nos deixar assustados (como ela conseguiu sair viva de uma experiência dessa?). Um estudo sobre a beleza que comove sem nunca apelar para o sensacional.

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑