O super-herói dos roteiros

O herói da temporada é o Super Roteirista, a.k.a. Joss Whedon. Diretor e autor de Os Vingadores, ele teve umas idéias para Hulk, Homem de Ferro etc. e conseguiu um dinheirinho – US$ 300 milhões – para colocá-las na tela. Nada mal para quem encarava o seu segundo filme – o primeiro, Serenity, de 2005, faturou sete vezes menos que o orçamento de Os Vingadores.

Carequinha, 47 anos, de barba ruiva, com um rosto inofensivo, Whedon vem de uma família de roteiristas – pai e avô fizeram várias séries – e criou alguns sucessos da TV, como Buffy, a Caça-Vampiros, Firefly e Angel. Ele ganhou a confiança dos executivos da Disney/Marvel ao dar pitacos em Toy Story, Speed, Alien Ressurection, X-Men e Capitão América: O Primeiro Vingador. Também acaba de lançar The Cabin in the Woods, elogiadíssimo filme de terror que escreveu e produziu.

Em entrevistas, afirma que é da geração dos blockbusters de verão e viu Star Wars dez vezes. Sua tendência natural foi sempre escrever longas para arrasar quarteirões. Difícil é conseguir realizá-los – um dos que não foram pra frente mostra o que acontece quando o cérebro de um moribundo é transplantado para o corpo de um serial killer.

Sempre é bom observar um filme de ação como Os Vingadores ser saudado pelo roteiro e qualidade dos diálogos – ainda mais no Brasil, lugarzinho capcioso para roteiristas.

E não é que as melhores coisas dessa nova aventura dos super-heróis da Marvel estão nas falas? Todos os seis protagonistas têm seus momentos de brilho e sacanagem. Preconceituosos, irascíveis, temperamentais, eles apresentam todas as qualidades de bons personagens.

Ao se encontrarem sob a supervisão do espertíssimo Nick Fury, a coisa toda só poderia mesmo descambar para uma versão abusada de Missão Impossível ou Ocean’s Eleven. É a velha turma que se reúne para dar um golpe e sacanear um vilão.

Apesar de começar bem devagar e esquisito, Os Vingadores engrena quando os mocinhos começam a ser recrutados. Hulk está na Índia fazendo o bem e buscando a paz interior; Viúva Negra segue lutando uma espécie de Guerra Fria particular; Thor está envolvido com as vilanias de seu irmão; Gavião Arqueiro acaba de ser abduzido por forças malignas; Capitão América ainda não se acostumou com as mudanças do planeta nos últimos 60 anos; e Homem de Ferro… bem, está queimando dinheiro.

Junte essa turma e coloque três grandes cenas de ação (num abrigo militar, numa fortaleza voadora e outra destruindo Nova Iorque) e a maioria poderia se contentar. Mas Whedon conseguiu rechear tudo com belos momentos de provocação, amizade e disputas internas.

Com tantos bons – e complexos – personagens, é quase um milagre deixar a coisa fluir dessa maneira.

Feito uma de suas heróicas criaturas, ele já terminou seu próximo filme: uma adaptação de Much Ado About Nothing, de Shakespeare, rodada em 12 dias na sua própria casa.

O Super Roteirista ataca novamente.

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