Agora ferrou de vez. Precisava ser tão bom assim? E tudo no mesmo dia? A televisão norte-americana vive o domingão mais feliz do planeta. Já repararam a quantidade de coisas que temos que baixar na segunda pela manhã?
Por aqui, a programação da nossa TV aos domingos só prestava por causa do Corinthians. Mas agora, com esse futebol caído, ficamos livres para fazer um longo almoço e sair por aí checando algumas passeatas (tem aos domingos à tarde?) ou tomando outras com os camaradas.
Nem sei se tem Faustão ainda ou algum programa de humor. Ah, mas depois de um certo horário, vale a pena dar uma passada nos debates esportivos, que ainda conservam o mesmo pique canhestro faz 73 anos. Um espetáculo degradante e irresistivelmente sem nenhum sentido.
De resto, como a turma lá em cima é privilegiada!
Para exemplificar bem a questão, só no último final de semana (13 de abril), eles conseguiram ver, em primeira mão, quase três horas da melhor dramaturgia do mundo. Foram quatro episódios de quatro séries espetaculares, capazes do mais fino texto e das imagens mais deslumbrantes.
Tivemos a volta de Mad Men com o primeiro episódio da sétima e derradeira temporada. Vocês viram? Chamado Time Zones, foi um daqueles que comecei a rever assim que começaram os créditos finais. Um banho de autoria de Matthew Weiner (que pode ser um chato, segundo muitos, mas está beirando a genialidade).
Nessa entrevista para o The Atlantic, ele explica algumas das principais questões da série e a despedida do velho Don Draper (frase: “What you’re watching with Don is a representation, to me, of American society. He is steeped in sin, haunted by his past, raised by animals, and there is a chance to revolt. And he cannot stop himself.”).
Além de muito bem construído em torno de um tema – frustração – e com diálogos brilhantes (o início lembrando O Poderoso Chefão é antológico), a direção tranquila e inspirada de Scott Hornbacher levou ainda mais força dramática aos monólogos e lances misteriosos (castelo de Drácula com coiotes, yes).
Mais uma vez fico com as palavras de Matt Zoller Seitz, que fez algumas observações pertinentes num longo recap viajandão e potente.
E tivemos como brinde todo o quarteto (Don, Roger, Peggy e Joan) se enfiando na lama da incompreensão e do desprezo. Que coisa fantástica, de verdade.
E as comédias? No mesmo dia foi ao ar o segundo episódio da terceira temporada (já?!) de Veep, a House of Cards dos birutas sem noção.
Escrito pelo criador Armando Iannucci foi mais um show de Julia Louis-Dreyfus (gata na capa da RS gringa, hein) e seus coadjuvantes arrasadores.
São sempre 22 minutos que duram uma hora, porque eu sinto a necessidade de parar diversas cenas para ouvir novamente os diálogos e capturar as 232 piadas e trocadilhos por frase.
É tão engraçado e político, que você quase não percebe que ficou meia hora rindo sobre… aborto. Sim, amigos, intitulado The Choice, tudo se referia a um depoimento do presidente dos Estados Unidos sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Um treco ousado e hilário assim não passa nem pela fronteira do Brasil. Se algum roteirista brasileiro quiser escrever um episódio assim aqui, suas ideias serão alvejadas ainda no computador.
Para complicar nossas escolhas, começou Silicon Valley, com humor para quem manja de computação e do mundo nerd (ou para quem detesta tudo isso, pois a frase “I hate Palo Alto” é o mantra da série).
No segundo episódio da primeira temporada (chamado Cap Table), acompanhamos um bromance digno dos filmes do Judd Apatow. Richard e Big Head tiveram suas personalidades aprofundadas e se meteram em diversas reviravoltas por causa do Pied Piper, um programa que pelo jeito… Tá, não vou explicar algo que não sei direito o que é. Mas é bem engraçado.
Criada por Mike Judge, tem locações interessantes, vilões divertidos e caricatos e um protagonista fofinho.
Pra fechar, Game of Thrones, claro. O segundo episódio da quarta temporada mostrou aquele lance com o Joffrey (não posso contar, sou péssimo com spoilers).
Com o nome de The Lion and The Rose e escrito pelas mãos de George R. R. Martin, o próprio, teve um casamento no mínimo memorável.
Com uma direção supimpa de Alex Graves, rolou diversão, humilhação, pancadaria, bebedeira, grosseria, beijo e… Tudo. Não querem aumentar a audiência das novelas da Globo? Façam um casamento desses a cada 15 dias e vocês vão ver o que acontece.
Não dá pra falar muita coisa sobre Game of Thrones porque os fãs já falam tudo (vejam só os comentários nesse recap).
Quantos domingos temos no ano mesmo? Viva.

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