Cinco mulheres

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Frances Marion é o nome que deveria ser invocado sempre que tentamos defender uma maior presença feminina atrás e na frente das câmeras. Patricia Arquette bem que poderia ter terminado seu discurso no último Oscar gritando: “Toma mais um, Frances!”.

Vencedora de dois prêmios da Academia (1930 e 1932), Frances Marion foi a roteirista – homem ou mulher – mais bem paga de Hollywood por quase três décadas, escreveu 325 roteiros, sendo que cerca de 200 foram produzidos, e dirigiu vários filmes.

Além disso, capitaneou uma época em que as mulheres ganharam enorme destaque na escrita de filmes – metade das produções realizadas entre 1911 e 1925 foi escrita por mulheres (segundo pesquisa divulgada pela Folha, em 2014 apenas 13% dos filmes norte-americanos contaram com trabalho de mulheres roteiristas).

Quando venceu seu primeiro Oscar em 1930, por The Big House, Frances Marion tinha quarenta e poucos anos e o respeito de toda a indústria. Naquele ano, filmes escritos por ela ganharam indicações em sete das oito categorias existentes. Era uma estrela que ainda pintava, esculpia, falava diversas línguas fluentemente e tinha uma vida sexual recheada de ex-maridos e amantes. Ah, sim, seu texto era espetacular.

Há no mercado uma biografia fantástica sobre Frances Marion. Escrito por Cari Beauchamp e intitulado Without Lying Down – Frances Marion and the Powerful Women of Early Hollywood, o livrão é um deleite para a gente descobrir a importância das mulheres na indústria do cinema e tentar entender por que agora elas têm que brigar por espaço.

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Michelle MacLaren é para muitos quem melhor dirige episódios de séries de TV hoje nos Estados Unidos. Recentemente ela foi escolhida para comandar o filme da Mulher-Maravilha. Seu nome é tão forte que ela dirigiu algumas das cenas mais impactantes de Game of Thrones, The Walking Dead e Breaking Bad.

Veja o apuro visual dela no episódio dois de Better Call Saul. Com o nome de Mijo, é um desbunde, incluindo um clip formidável baseado em All That Jazz, de Bob Fosse.

Aqui você confere uma entrevista dela com Matt Zoller Seitz.

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Ellie Kemper é o nome que, por enquanto, deixa a série Unbreakable Kimmy Schmidt uma delícia. Interpretando a protagonista que vai morar em Nova York após passar 15 anos isolada do mundo por causa de uma seita apocalíptica, ela consegue ser infantil, engraçada, sagaz e fofa no mesmo segundo.

Méritos gigantescos por se destacar e roubar um pouco a cena de outra mulher, a forte Tina Fey, que junto com Robert Carlock criou a série.

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Ilana Glazer e Abbi Jacobson, claro. As criadoras de Broad City, a melhor comédia hoje da TV, estão arrebentado na segunda temporada da série. Despudoradas e selvagens, mostram o que fazer quando há liberdade criativa. Não há uma frase sem piada e o requinte visual remete a bons momentos de cômicos do cinema mudo.

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