Celular (ou o chapéu que fala) é a praga dos cinemas

 

MovieEtiquette1-600x527

Felizes eram os espectadores do século passado que precisavam se preocupar apenas com o tamanho dos chapéus nas salas de cinema. Hoje, os celulares não apenas interrompem a visão de um filme, como também atrapalham a nossa compreensão do som.

Celular é um chapéu que fala.

O site Filmmakeriq publicou uma série de avisos das salas de cinema dos anos 10. Eles pedem silêncio da platéia e, principalmente, reclamam do tamanho e formato dos chapéus.

Mais de cem anos depois, e continuamos na mesma. Mentira. Pioramos. Solicitar educação do público é uma necessidade. Ninguém aprendeu nada depois de tanto tempo?

Os informes que antecedem os filmes hoje são curtas-metragens, tamanha a quantidade de respeito que precisam rogar.

Se esses cartazes antigos se referem apenas a vestimentas e barulho, hoje precisam alertar sobre aparelhos eletrônicos em geral, a sujeira das pipocas etc. Interessante observar que o aviso da rede Itaú traz fotogramas antigos, como se lembrassem que essa história dura décadas.

Já escrevi um pouco sobre isso aqui.

Recentemente, desisti de qualquer reclamação sobre a conversa das pessoas na platéia durante uma sessão de cinema. Grande parte do público está acostumado a ver TV e DVDs e realmente acha que está na sala de casa e merece comentar tudo o que rola na tela. Pelo preço que pagam, não à toa acreditam que adquiriram aquele imóvel por algumas horas.

Mas essa praga do celular de fato é caso para o Ministério Público. Já vi pessoas “de bem”, que pregam mudanças no país e o fim da falta de educação no mundo, atenderem o celular a cada cinco minutos numa sessão de filme “de arte” (e com quase três horas, façam o cálculo para descobrir o quanto o cidadão atendeu o aparelho).

Os mais educados (cof, cof) deixam o bichinho no vibra. Adivinhem? Não resolve nada.

Agora, para tudo ficar ainda mais confuso, a turma não atende nem fala, mas fica nas redes sociais ou se comunicando por mensagens. Pois é, esquecem de uma única coisa: cinema é luz, rapaziada!

Viram como tudo pode ficar pior? Celular é um chapéu que fala e emite luz.

Frequentamos salas de cinema justamente porque propiciam a luminosidade correta, o som adequado etc. e tal (ok, tem muita coisa a mais nesse “etc. e tal”, mas tudo pode ser estragado por causa do celular). Então, é chato ter que enfrentar uma horda de vagalumes enlouquecidos.

Pelo menos essa é uma praga democrática (e aqui uso uma palavrinha da moda de forma errada de propósito). Ricos, pobres, gente fina, gente boa, vilões, direita, esquerda, centro, escritores, jornalistas, médicos, faxineiros, tucanos, petistas, meninos, meninas, homossexuais, trans, todos amam ligar seus aparelhinhos nos cinemas.

Sem contar nos shows. Sinceramente não sei como aguentam ficar nessas arenas com milhares de chapéus, quer dizer, celulares tomando todo o espaço aéreo.

Não dá pra entender a humanidade que acaba com os chapéus, proíbe o fumo no cinema, mas deixa os celulares soltos nas poltronas.

MovieEtiquette2-600x524

2 comentários em “Celular (ou o chapéu que fala) é a praga dos cinemas

Adicione o seu

  1. celular é uma praga mesmo, andré. dia desses estava no cinema com meu namorado e o moço do lado dele não parava de olhar o celular. meu namorado educadamente questionou, dizendo que o incomodava. pois no final do filme, o moço veio para cima do meu namorado, praticamente enfiando o celular na cara dele, “perguntando” se agora podia olhar o telefone, se tava autorizado. a gente falou que era proibido no cinema e que não era legal atrapalhar a experiência das pessoas etc., mas a parada ficou quente. por pouco não saíram no braço. o moço do celular saiu no cinema arrastado pela mulher. uma pena.

    a pipoca é uma questão também. acho bizarrão ser contra, mas fui ver “ida” numa sala pequena do itaú, e uma senhora do meu lado passou, JURO, 50 minutos do filme comendo pipoca, mas não era nada silencioso, e ela colocava sal, fechava o saco e sacudia. isso umas cinco vezes. uma outra mulher não parava de gritar que a senhora tava de sacanagem – e a senhora nada respondia, no mesmo ritual. resultado: não consegui gostar de “ida”.

    1. Eu tenho um projeto de um filme chamado “Contos no Cinema”. São cinco histórias, estilo “Relatos Selvagens”, que se passam numa sala de cinema. Pode imaginar, né? Suas narrativas farão parte dele. Também acho estranho comer coisas no cinema. Acho que o Vinícius de Moraes era contra até “de bala de goma”. E dê outra chance, em casa, para “Ida”. É um bom filme.

Deixar mensagem para oroteiro Cancelar resposta

Blog no WordPress.com.

Acima ↑